Palavras que não saem do meu pensamento...

"Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...

Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...

Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A cigarra canta...



No meio da tarde
um canto tristonho
corta o silêncio
 e atrapalha meu sono...

A cigarra canta
seu grito sem fim
como se já soubesse
que ele dói em mim...

Ah, cigarra,
vá embora...
Deixa-me em paz,
Teu canto me apavora!

Não gosto de cigarras,
confesso: nunca gostei.
Pelo menos agora,
uma homenagem (tola)
a elas eu dei...
Rsrsrsrsrsrs


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Abraçando a imperfeição

Recebi esse texto por e-mail, desconheço a autoria. Gostaria de compartilhá-lo com vocês, pois traz em si reflexões de como levamos a vida, ou como deveríamos levá-la...





Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro.

Naquela noite longínqua, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.


Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por haver queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:


" Baby, eu adoro torrada queimada."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:


"Companheiro, sua mãe teve hoje um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou um melhor empregado, ou cozinheiro!"


O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.


Essa é a minha oração para você, hoje. Que possa aprender a levar o bem, o mal, as partes feias de sua vida colocando-as aos pés do Espírito Santo. Porque afinal, Ele é o único que poderá lhe dar um relacionamento no qual uma torrada queimada não seja um evento destruidor."


De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, e com amigos.

Não ponha a chave de sua felicidade no bolso de outra pessoa, mas no seu próprio. Veja pelos olhos de Deus e sinta pelo coração Dele; você apreciará o calor de cada alma, incluindo a sua.


As pessoas certamente esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse.
Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as acolheu e valorizou.

(Imagem retirada de http://pensamentoseolhares.blogspot.com/2009_09_01_archive.html )

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cuidemos da natureza




















O que vão dizer nossos filhos,

Quando estiverem crescidos,
Da falta da água doce,
Da falta do chão pra plantar,
Da falta de ar limpo
Que tivermos deixado para eles?



Eles reclamarão da nossa falta:
Falta de responsabilidade,
De compaixão, de civilidade,
Da falta de sustentabilidade,
De não termos pensado neles
Enquanto ainda era possível...




E aí já não vão poder fazer mais nada
A não ser reclamar...
O tempo terá acabado!

Faz de conta...



Faz de conta uma casinha.

A cor dela pouco importa,
Mas o que eu queria mesmo
É que tivesse uma janela branca
E um jardim em frente à porta.


E todo dia de manhã
Eu abria as janelas
Deixava entrar a brisa fresca
E sentia o cheiro molhado
Que vinha dar bom-dia
Entrando através delas...


E defronte a essa janela
Uma árvore de tronco retorcido
E uma verde copa frondosa
Fazia sombra pros pique-niques
E segurava um balanço
Pros pequenos de tempo esquecido.


Ao fundo tinha um riacho
De águas muito tranquilas,
Onde pedrinhas redondas
Rolavam de um lado pro outro,
Nadando co´as folhas caídas
Do bosque de flores lilás.

Do outro lado da casa,
Ainda no faz de conta,
Um campo de girassóis
A testemunhar a passagem do tempo.
Girando, olhando pro sol,
Como criança, que acaba ficando tonta...


Na varanda, uma rede
Gostosa, pra espreguiçar
E todo dia, com meu amado,
Olhar as estrelas brilhando
E em seus braços me aconchegar.


E as crianças cresciam livres
Sem tempo, sem obrigação...
É uma pena que tudo isso
Só seja possível (por enquanto!)
Na minha imaginação.

(Imagem retirada do blog http://acordachita.blogspot.com/2008/12/ano-novo-na-janela.html , cujo poema relacionado é lindo!)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Desejo (Victor Hugo)



Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.


Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.


E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.


Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.


Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.



(Imagem de http://blig.ig.com.br/pizzi/files/2009/12/ano-novo-2009.jpg )

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Outra vez Natal... Que bom!





Mais uma vez chegou o Natal. Muitas pessoas não gostam desta data - pela melancolia, pela lembrança de pessoas queridas que já moram entre as estrelas, pelo consumismo exagerado que a data sugere...
Eu não. Eu adoro Natal! Para mim, o Natal é a celebração da vida. Nem tanto pelo sentido religioso, mas pela mudança que esta data trouxe à minha vida há quase três anos...

Eu jamais poderia imaginar que meu filho viesse ao mundo numa manhã de Natal. Fazendo juz ao seu nome, meu Mateus nasceu no dia 25/12/2006, às 11h25. Que outro presente de Natal (ou dádiva de Deus) poderia me fazer mais feliz??? Descontados o médico que ficou sem almoço de Natal com a família e o fato de que quase que a minha família teve seu almoço de Natal no hospital, foi tudo só alegria!!!

Assim, pensando na pergunta que o selinho (presente de minha amiga-do-coração Malu me enviou) sugere, resolvi dissertar...

Neste Natal, desejo que daqui pra frente haja muita saúde, união, paz, alegrias, prosperidade. Que a humanidade desenvolva a consciência ecológica, o amor pela Terra-Mãe Gaia, o respeito por esse organismo vivo tão maravilhoso que nos manteve até aqui e que luta para manter-se (e a nós!). Que haja paz entre as raças e os credos do mundo. Que as famílias se unam em prol da educação de seus filhos. Que o dinheiro possa nos servir e não o contrário. Que haja gratidão pelo que temos e aceitação pelo que somos.

Desejo que haja alimento em todas as mesas, água em todas as casas, chuva e sol na medida em todas as plantações, amor nos corações. Que cada "panela velha" encontre sua "tampa torta", e que cada amante possa manter viva sua chama pelo ser amado. Que haja perdão entre as pessoas e que Deus tenha piedade de nós.

Desejo a você, meu filho Mateus, Anjo de Luz que Deus me mandou, muita saúde, e tenha a certeza de que minha preocupação é deixar para você um mundo melhor, pois tenho certeza de que você é uma pessoa melhor que estou deixando neste mundo.

Aqui, enfim, encerro meus votos natalinos... Paz, amor, respeito, perdão.
Feliz Natal!
Feliz 2010!!!

("É tudo novo de novo! Vamos mergulhar do alto onde subimos!!!
(...) Vamos terminar inventando uma nova canção,
nem que seja uma outra versão" - Paulinho Moska)


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O guardador de rebanhos



(Alberto Caeiro, 1911)
I Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se ao meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes (...)

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita coisa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outreiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me veem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outreiro.
Saúdo-os e desejo-lhes o sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

II O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que antes eu nunca tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

(...)
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
(...)

V (...)
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhes flores e árvores e montes e sol e luar,
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o reconheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?)
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhes luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora."

(Imagem: http://fotosfr.blogs.sapo.pt/arquivo/por-do-sol-bl.JPG)